Veja a carta produzida no seminário e assinada pelas lideranças dos partidos aliados:

maio 5, 2009 por socioenvironmental
Carta de Repudio - Página 1

Carta de Repudio - Página 1

Carta de Repúdio - Página 2

Carta de Repúdio - Página 2

Carta de Repúdio - Página 3

Carta de Repúdio - Página 3

Verdes de São Gabriel da Cachoeira realizaram seminário para discutir desafios e riscos à gestão do município

maio 5, 2009 por socioenvironmental

Foi realizado nos dias 01 e 02 de maio de 2009, em São Gabriel da Cachoeira, o seminário “Modernização da Gestão Pública – Refletindo sobre os desafios e construindo cidadania”.

Contando com a participação de representantes não apenas Verdes mas de todos os partidos aliados no governo municipal de São Gabriel da Cachoeira, além de cidadãos e representantes da sociedade civil organizada, o seminário discutiu os desafios enfrentados pelas secretarias municipais sob governo dos Verdes, a de Saúde (SEMSA), Produção e Abastecimento (SEMPA) e Meio Ambiente e Turismo (Sematur).

Infelizmente algumas das lideranças históricas que participaram da construção dos Verdes no estado e na região como Bonifácio Baniwa, Gersen Baniwa, Camico Baniwa e o deputado estadual Angelus Figueira não puderam participar pois não conseguiram passagens de avião. Mas isso não afetou a qualidade do evento que contou com participação dos Verdes locais, e de lideranças dos partidos aliados como Renato Matos (presidente do PT municipal), Domingos Agudelos (PPS), José Maria Gomes (PSB), Francisco Nogueira (PP), Antonio Cardoso (PDT) e obviamente do nosso vice-prefeito e líder dos Verdes em São Gabriel, André Baniwa, que liderou o seminário.

Entre os problemas que colocam desafios à frente dos Verdes locais, o secretário de meio ambiente e turismo, Miguel Maia, destacou a falta de diálogo com o prefeito Pedro Garcia, e o aparente descaso deste em fechar parcerias que beneficiaríam a população do município, foi citado por exemplo o não comparecimento do prefeito em reunião com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, que poderia ter possibilitado uma parceria técnica.

O secretário de produção e abastecimento, Edílson Baniwa relatou que os poucos recursos disponíveis para sua secretaria estão sumindo, e que quando procura informações junto à secretaria de finanças, a Controladora municipal barra o processo e não fornece as informações.

O secretário de saúde, Luiz lopes, disse que tem conseguido levar as ações de saúde e conseguiu manter o controle das contas da saúde, questinado sobre os gastos da UACHI em Manaus, esclareceu que as despesas lá se dividem entre a Semsa e o gabinete do prefeito, que banca os custos da representação de SGC em Manaus.

O vice-prefeito verde André Baniwa fez uma importante fala final resumindo a situação dos índios na política, fez um resgate da história do movimento indígena na região e afirmou ser muito importante a construção de uma estratégia para fortalecimento dos representantes indígenas frente à ameaça do grupo de Manaus que se instalou na prefeitura e controla diversos processos administrativos.

Elias Brasilino, liderança da região, relatou detalhes de como começou o relacionamento de pedro Garcia com o grupo de Manaus, comandado pelo sr. Perrone que resultou na entrada destes para a prefeitura municipal e o controle das contas da prefeitura. Citou por fim que qualquer parceria que seja proposta ao prefeito Pedro, de planejamento, transparência ou similar, será ignorada porque o grupo de Manaus não quer.

Ao fim do seminário decidiu-se pela elaboração de uma carta de repúdio assinada pelos partidos da base aliada e que será divulgada em todo o município.

Conheça André Baniwa, o nosso vice-prefeito!

abril 28, 2009 por socioenvironmental

Reproduzo na sequência a abertura da entrevista que André Baniwa deu para o Planeta Sustentável.

O novo índio brasileiro

André Fernando, Indígena da etnia Baniwa, vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira, AM

André Fernando, Indígena da etnia Baniwa, vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira, AM

André Baniwa é índio, militante e vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Ele é um exemplo de que os limites culturais entre os indígenas e a sociedade ocidental têm se transformado e defende que só a educação é capaz de garantir a qualidade de vida das futuras gerações indígenas. Enquanto acesso a tecnologia e a universidades fazem parte da vida de alguns povos, outros enfrentam altas taxas de mortalidade infantil e sequer sabem o que é uma crise econômica. Afinal: o que é ser índio hoje?

Indígena da tribo Tucumã Rupitá, nascido em 1971, no Alto Rio Içana, afluente do Rio Negro, André Baniwa só frequentou a escola porque seu pai não queria que suas crianças passassem pela mesma dificuldade que ele teve de entender o que estava acontecendo no mundo, porque coisas erradas aconteciam, com que intenção os homens brancos entravam em contato com os índios e os motivos que levavam o governo a tomar suas tantas decisões.

Anos mais tarde, quando os filhos começaram a sair da aldeia para continuar os estudos – André foi para Manaus cursar uma escola agrícola em regime de internato –, a saudade do pai acabou fazendo com que ele se arrependesse da escolha que fez, pois seu desejo era de que todos permanecessem na comunidade e contribuíssem ali.

Quando não teve mais recursos financeiros para continuar seus estudos na capital amazonense, André voltou para junto de seu povo – hoje, são cerca de seis mil indígenas Baniwa espalhadas por 80 aldeias – e, pelo fato de ter escolaridade superior à da maioria dos que haviam permanecido lá, inclusive alienados sobre seus direitos, acabou participando da OIBI – Organização Indígena da Bacia do Içana e entrando para o movimento indígena. Naquele momento, a discussão dos índios com a FUNAI – Fundação Nacional do Índio girava em torno da demarcação de terras.

Baniwa já foi presidente da associação local, lutou por saúde, educação e geração de renda para seu povo – fortemente submetido à exploração de patrões brasileiros e colombianos – e desenvolveu um modelo educacional e pedagógico para os povos Baniwa e Kuripaco, que chegou a ser objeto de estudo de universitários da Noruega. Para ele, a educação é a chave para melhorar a qualidade de vida dos índios. Ele também foi Conselheiro Municipal de Saúde, é membro da diretoria da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e, em 2008, se tornou vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira (AM), pelo Partido Verde.

Há quase oito anos, a arte dos índios Baniwa chegou a empresas de São Paulo como Tok Stok, Pão de Açúcar e Natura e a Universidade Federal do Amazonas abraçou um dos projetos da aldeia que valoriza a medicina tradicional indígena. Enquanto a universidade os orientava sobre políticas públicas e sistema de saúde, eles ensinavam o poder curativo das plantas.

Em homenagem ao Dia do Índio, Andre Baniwa conversou com o Planeta Sustentável e nos fez refletir sobre os novos limites culturais e de informação entre os indígenas e a sociedade moderna ocidental. Ao mesmo tempo em que muitos têm acesso a universidades e tecnologias, a mortalidade infantil entre eles está bem acima da média nacional. Se, por um lado, eles têm consciência de que as mudanças climáticas são uma realidade, a metade deles sequer sabe que o mundo passa por uma forte crise econômica. A diferença entre os povos indígenas compõe o cenário de diversidade – e de desigualdade – presente em todo o território nacional e nos leva a questionar: afinal, o que é ser índio hoje?

Veja a entrevista completa clicando aqui.

O município, o povo, o governo e o blog

abril 23, 2009 por socioenvironmental

São Gabriel da Cachoeira se localiza na região conhecida como cabeça do cachorro, noroeste da amazônia brasileira e faz divisa com a Colômbia e a Venezuela. É o município mais indígena do Brasil, com 22 povos indígenas num total de aproximadamente 35.000 pessoas, sendo 95% da população indígena.

Nas últimas eleições, a população elegeu pela primeira vez no município um prefeito e vice-prefeito indígena no município. Representando o Partido Verde, André Fernando, da etnia Baniwa, chegou à posição de vice-prefeito.

Nós, do partido verde, orgulhosos com a atuação sempre séria de André, nos reunimos nos dias 20 e 22 de abril para avaliar os primeiros quase 4 meses da gestão. E para nos comunicarmos melhor com a população e todo o mundo, decidimos iniciar este blog, que trará informações sobre a atuação dos Verdes no município.

Além do vice-prefeito, os Verdes hoje tem a gestão sobre 3 secretarias: Saúde, Produção e Abastecimento, e Meio-ambiente e Turismo. Temos uma proposta diferente da que tem sido desenvolvida na prefeitura como um todo, assim em nossas secretarias nos propomos a implementar um modelo mais democrático de gestão, com transparência absoluta e a divulgação para toda a população das ações desenvolvidas, políticas implementadas e orçamento executado.

Este blog, na ausência de canais oficiais de comunicação com o público estabelecidos pela prefeitura, será nosso primeiro meio de comunicação com o público. Aqui colocaremos informações sobre as ações dos Verdes no município, sobre a atuação de nossos secretários e do vice-prefeito, assim como abriremos um espaço para discussão com todos os cidadãos.

Para nós Verdes, a transparência na gestão pública, a honestidade e ética na política e os valores democráticos são primordiais, e vamos lutar para que estes ideais sejam não apenas bandeiras, mas efetivamente implementados. Contamos com a participação de toda a população e do movimento indígena no município para exercer o controle social sobre os órgãos públicos e buscar uma gestão à altura dos anseios de todos nós, mais de 6.000 eleitores, que acreditamos na capacidade de André Baniwa e dos Verdes em governar o município mais indígena do Brasil.